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Rincon Sapiência na Caminhada São Paulo Negra

Cantor fala da importância de resgatar outras histórias e de poder ouvir narrativas do ponto de vista da negritude

Guilherme Soares Dias

O cantor Rincon Sapiência, que também gosta de ser chamado de Manicongo, denominação dos reis do Congo, participou da Caminhada São Paulo Negra, realizada pela Black Bird, no último dia 10 de maio. A Black Bird fez uma ação junto com o rapper e sorteou oito fãs que puderam realizar o tour com a participação especial de Rincon.

Ele ressaltou a importância de resgatar histórias como essas e de poder ouvir narrativas do ponto de vista da negritude. “A maior parte dos lugares não tem placas que os sinalizam e nossa história é muito oral. É importante contarmos ela para mantê-la viva”, considera. A caminhada conta sobre a história de lugares importantes da capital paulista, que foram sendo apagados, como é o caso do Bairro da Liberdade, primeiro reduto dos negros na cidade, do Pelourinho, onde havia tortura dos escravos e hoje é Praça João Mendes, sem referência a essa memória e do Bixiga, conhecido como bairro italiano, mas que tem uma população negra grande e centros de cultura como a escola de samba Vai Vai e a escola de capoeira do mestre Ananias.

O tour, conduzido pelo jornalista Guilherme Soares Dias (à esquerda na foto), pela relações públicas Luciana Paulino e pelo produtor cultural Heitor Salatiel, também fala de personagens como o abolucionista Luiz Gama e a escritora Carolina Maria de Jesus, além de narrar a nova migração africana e seus negócios em lugares como a Galeria do Reggae. “Eu vinha aqui buscar novas músicas. Gravar fitas cassetes e em busca do que estava ocorrendo na cidade”, conta Rincon, sobre a sua relação com a galeria.

O rapper lembrou que ainda hoje permanece o processo de aquilombamento das pessoas escravizadas, mas hoje os negros fazem na periferia e na favela. “É você se organizar socialmente num lugar que tem suas precariedades, porém consegue usar o seu dialeto na forma de se comunicar, manter seu signo, suas tradições. Isso é permanente nas periferias, porém a situação não é das melhores, principalmente nas questões econômicas, em decorrência desse processo de abolição incompleto. Ano após ano precisamos abolir outras questões para termos essa liberdade igualitária”, defende.

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