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Caminhada São Paulo Negra concorre a prêmio de impacto social no turismo

A Caminhada São Paulo Negra, walking tour de resgate da história e cultura negra paulistana realizado pela Black Bird Viagem desde maio de 2018, concorre ao Prêmio Impactos positivos, na categoria impacto social no turismo, realizado pelo site Lugares do Mundo. A experiência é uma das semi-finalistas e depende agora do voto do público para estar na final do prêmio. A votação ocorre aqui https://lugarespelomundo.com/vitrine-impacto-social (canto direito) e vai até 3 de novembro.

O prêmio tem apoio da Embratur e informa que “acredita no potencial do turismo do Brasil e que o turismo vai além de apenas uma viagem…”. A categoria impactos sociais engloba projetos e ações que impactam a vida das pessoas e focam em seus objetivos e necessidades. “A sociedade é composta por seus membros e objetivos e toda ação que seja na direção de um mundo melhor e uma sociedade mais justa, pacífica e alegre é um impacto social”, informa o site.

São Paulo é a cidade com a maior população negra do Brasil, mas os lugares e os personagens negros da cidade foram sendo invisibilizados ao longo dos anos. A Caminhada São Paulo Negra resgata as histórias negras, que estão por toda a cidade, no centro e em todos os bairros (inclusive na Liberdade e no Bixiga). O tour começa na Praça da Liberdade 238 – Metrô Liberdade e termina cerca de três horas depois na República.

No percurso de três quilômetros os turistas conhecem lugares importantes da história dos negros na cidade, como é o caso da Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos, a estátua da mãe preta, a Igreja Nossa Senhora dos Enforcados, o antigo Pelourinho e do antigo Morro da Forca, no bairro da Liberdade. A migração africana atual, a música e os movimentos negros modernos também são tema das narrativas.

Além disso, personagens negros importantes são ressaltados. É o caso da escritora Carolina Maria de Jesus, do jornalista, advogado e patrono da abolição Luiz Gama, do arquiteto Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas e de Zumbi, último dos líderes do Quilombo dos Palmares, que morreu em 20 de novembro de 1695, data que se tornou feriado em diversas cidades do país.

O impacto que a Caminhada provoca é o de mudar a relação das pessoas com a cidade, revelando uma São Paulo que sempre esteve ali, mas teve sua história sistematicamente apagada. “Além de uma mudança de olhar para os lugares da cidade, que não tem volta. É uma oportunidade de conhecer novas pessoas. Muitos começam como desconhecidos e terminam trocando contatos e se tornam amigos”, conta Heitor Salatiel, fotógrafo e produtor cultural, que é um dos anfitriões do tour.

Do período da escravização aos dias atuais, falando da potência do empreendedorismo e cultura negra, a Caminhada São Paulo Negra tornou-se necessária para revelar uma cidade mais diversa e inclusiva. Assim como aconteceu com outras manifestações do povo preto, como o samba, o funk e as religiões de matriz africana, o tour teve uma tentativa de criminalização por parte da polícia. No último sábado (24), as cerca de 15 pessoas que estavam no walking tour foram acompanhadas e filmadas pela Polícia Militar gerando constrangimento e desconforto.

O fato foi amplamente noticiado pela imprensa. Além de boletim de ocorrência para questionar a ação da PM, os organizadores receberam apoio de instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público (MP), Secretaria de Estado de Turismo, e de empresas parceiras como Diaspora.Black, Brafrika Viagens, Rio Encantos, Sou Mais Carioca, Rota da Liberdade, além da rede de afroturismo.

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